A venda de milhas ainda pode ser uma forma de gerar renda, mas o mercado mudou bastante nos últimos anos.
Se você está pensando em começar, a primeira coisa que precisa entender é que vender milhas profissionalmente não significa simplesmente acumular pontos e procurar alguém disposto a comprá-los.
Existe uma operação por trás disso.
É preciso entender como comprar, quando comprar, como calcular a margem, onde vender e, principalmente, como reduzir os riscos da operação.
Neste artigo, vamos explicar de maneira simples como funciona a venda de milhas na prática e para quem esse modelo de negócio pode fazer sentido.
Primeiro: entenda as milhas como uma moeda
Uma maneira simples de compreender esse mercado é pensar nas milhas como uma espécie de moeda criada pelos programas de fidelidade das companhias aéreas.
Existem diferentes programas e cada um possui sua própria dinâmica de preços.
Entre os principais programas nacionais estão:
- Azul Fidelidade;
- Smiles;
- LATAM Pass.
Mas, para quem está começando, mais importante do que simplesmente saber quanto vale cada milheiro é entender a margem da operação.
Imagine que você compra algo por R$ 45 e consegue vender por R$ 50.
Seu ganho bruto foi de R$ 5.
Na venda de milhas acontece algo parecido.
Você precisa analisar quanto custou para gerar ou comprar aquelas milhas e quanto conseguirá receber na venda.
É essa diferença que determina a rentabilidade da operação.
Como a venda de milhas realmente acontece?
Aqui está um dos pontos que mais confundem quem está começando.
Normalmente, você não simplesmente transfere suas milhas para outra pessoa e recebe o dinheiro.
A operação está ligada à emissão de passagens aéreas.
Imagine que você tenha 100 mil milhas disponíveis.
Em vez de transferir as 100 mil milhas para um comprador, elas podem ser utilizadas para diferentes emissões de passagens.
Por exemplo:
- uma passagem utilizando 30 mil milhas;
- outra utilizando 42 mil milhas;
- outra utilizando 28 mil milhas.
Ao final, as 100 mil milhas foram utilizadas.
É dessa maneira que boa parte das operações profissionais de compra e venda funciona.
Quem compra essas milhas?
Normalmente, existe uma agência de viagens do outro lado da operação.
Uma agência vende passagens diariamente e precisa constantemente de milhas para realizar determinadas emissões.
De um lado temos, portanto, pessoas que possuem milhas disponíveis para vender.
Do outro, temos agências que precisam dessas milhas para emitir passagens para seus clientes.
O desafio é fazer esses dois lados se encontrarem de maneira organizada.
É justamente aí que entra o chamado balcão de milhas.
O que é um balcão de milhas?
De maneira simplificada, um balcão é um ambiente que reúne vendedores de milhas e agências interessadas em utilizá-las para suas emissões.
Em vez de você sair procurando compradores individualmente, existe um ambiente organizado para conectar oferta e demanda.
Um ponto importante é que um balcão precisa ter demanda.
Não adianta existir uma quantidade enorme de pessoas querendo vender milhas se praticamente ninguém estiver interessado em comprá-las.
Por isso, um dos fatores importantes para analisar em um balcão é justamente a relação entre vendedores e compradores.
Quanto maior e mais constante for a demanda das agências, maior tende a ser a possibilidade de as milhas encontrarem utilização.
Por que organização e segurança são tão importantes?
Quem começa nesse mercado precisa entender que não basta olhar apenas para o preço.
Também é necessário analisar como a operação acontece e quais mecanismos existem para reduzir os riscos entre compradores e vendedores.
Quando não existe organização, você pode acabar negociando com pessoas desconhecidas, oferecendo acesso à sua conta ou realizando emissões sem saber exatamente quando receberá.
Por isso, operações profissionais precisam possuir regras claras.
No modelo apresentado em nosso treinamento, por exemplo, existe uma estrutura de balcão justamente para organizar a relação entre vendedores e agências participantes.
Isso também explica por que não recomendamos simplesmente procurar qualquer pessoa na internet dizendo:
“Tenho 200 mil milhas para vender. Quem quer comprar?”
O comprador não conhece você.
E você também não conhece o comprador.
Confiança, regras e procedimentos fazem parte do negócio.
Por que não recomendamos depender de sites para vender milhas?
Durante muitos anos, vender milhas através de plataformas especializadas foi uma das maneiras mais conhecidas de entrar nesse mercado.
Nossa estratégia mudou.
Hoje, preferimos trabalhar com um modelo no qual existe maior proximidade entre vendedores, agências e a administração do balcão.
Um dos riscos existentes em determinadas operações é a diferença entre o momento da emissão da passagem e o momento do pagamento.
Quando você realiza uma operação e recebe somente muito tempo depois, passa a assumir um risco financeiro maior.
Por isso, antes de vender suas milhas, não analise apenas:
“Quem está pagando mais?”
Analise também:
“Como e quando vou receber?”
Preço sem segurança não necessariamente representa uma boa operação.
O maior erro de quem começa: precisar vender rápido
Esse talvez seja um dos conceitos mais importantes para entender a venda de milhas.
Imagine que surgiu uma excelente promoção.
Você utiliza seu cartão de crédito para aproveitar a oportunidade e compra uma grande quantidade de pontos ou milhas.
O problema aparece algumas semanas depois.
A fatura do cartão está chegando e você precisa vender as milhas imediatamente para conseguir pagar a conta.
Nesse momento, você perdeu poder de negociação.
Se existem muitas pessoas na mesma situação, acontece um aumento da oferta.
As agências sabem que muitos vendedores precisam recuperar rapidamente o dinheiro utilizado.
Consequentemente, podem aparecer ofertas menores.
Quem precisa vender imediatamente pode acabar aceitando uma margem muito pequena.
Quem possui capital e consegue esperar uma oportunidade melhor tem uma situação completamente diferente.
Na venda de milhas, paciência pode significar margem
Imagine dois vendedores.
O primeiro comprou milhas utilizando o limite do cartão e precisa recuperar o dinheiro antes da próxima fatura.
O segundo também aproveitou a promoção, mas possui dinheiro suficiente para pagar suas parcelas mesmo que não venda imediatamente.
Quem possui maior poder de negociação?
Normalmente, o segundo.
Por isso, um dos princípios que ensinamos é:
não entre na venda de milhas utilizando um dinheiro que você precisa recuperar imediatamente.
A estratégia precisa ser pensada ao longo do ano.
Existem momentos de compra, períodos de espera e oportunidades de venda.
O objetivo não deveria ser simplesmente vender o mais rápido possível.
O objetivo é buscar boas operações e boas margens ao longo do tempo.
Quanto dinheiro é necessário para começar?
Dentro da estratégia apresentada em nosso treinamento, normalmente orientamos a venda profissional de milhas para quem consegue movimentar pelo menos R$ 10 mil ao longo de um ano.
Isso não significa necessariamente possuir R$ 10 mil disponíveis imediatamente.
Significa conseguir organizar aproximadamente esse volume de operações ao longo do período sem depender da venda imediata das milhas para pagar as parcelas ou compromissos assumidos.
Existe uma razão para isso.
Treinamento, acesso ao balcão e estrutura possuem custos.
Se você pretende movimentar um valor muito pequeno, esses custos podem consumir grande parte do seu possível lucro.
Nesse cenário, talvez existam caminhos melhores dentro do próprio mercado de milhas.
Venda de milhas não é o único caminho
Esse é um ponto importante.
Nem todo mundo precisa trabalhar comprando e vendendo milhas.
Hoje existem diferentes possibilidades profissionais dentro desse mercado.
Você pode trabalhar, por exemplo, com:
Venda de milhas: utilizando capital próprio para comprar e posteriormente vender buscando margem.
Agência de viagens: vendendo passagens, hospedagens e outros produtos relacionados ao turismo.
Gestão de milhas: ajudando clientes a organizar, acumular e utilizar melhor seus pontos e milhas.
São modelos diferentes.
Consequentemente, exigem perfis, estruturas e investimentos diferentes.
Para algumas pessoas, a venda de milhas será o caminho mais interessante.
Para outras, montar uma agência ou trabalhar com Gestão de Milhas pode fazer muito mais sentido.
Então, vale a pena vender milhas?
Pode valer.
Mas você precisa entrar entendendo que isso é uma operação e não simplesmente uma maneira de ganhar dinheiro rápido utilizando o limite do cartão de crédito.
Você precisa compreender:
- como gerar ou comprar milhas;
- quanto elas realmente custaram;
- qual margem pretende buscar;
- quando comprar;
- quando vender;
- como funcionam as emissões;
- onde realizar suas operações;
- como controlar seu capital;
- e quais riscos está assumindo.
Principalmente: você precisa ter condições de esperar.
Entrar em uma promoção hoje contando obrigatoriamente com a venda das milhas antes da próxima fatura pode colocar você em uma posição ruim de negociação.
O planejamento precisa vir antes da compra.
Quer descobrir qual caminho das milhas faz mais sentido para você?
Talvez você tenha terminado este artigo pensando:
“Venda de milhas parece interessante, mas será que é realmente o melhor modelo para mim?”
Essa é justamente a pergunta certa.
Dependendo do seu capital, experiência, tempo disponível e objetivo, podemos indicar caminhos diferentes.
Pode ser venda de milhas.
Pode ser Gestão de Milhas.
Pode ser uma agência de viagens.
Por isso, criamos um formulário para entender melhor o seu momento e mostrar como podemos ajudar você dentro do mercado de milhas.
Preencha o formulário abaixo e conte um pouco sobre seu objetivo: https://viverdemilhas.com.br/comopossoajudar
A partir das suas respostas, podemos entender melhor qual caminho faz mais sentido para você e apresentar a solução mais adequada para começar ou profissionalizar sua atuação no mercado de milhas.
